Nossa história

A farinha esvoaçava levantando uma cortina perfumada, que naqueles tempos era do tamanho do mundo e no meio dela surgia a nonna Emília sovando a massa com seus braços fortíssimos. Lá também estávamos nós , maravilhados com todo aquele ritual. Ponta dos pés, mãozinhas apoiadas na mesa de madeira, observando e gravando em nossas mentes os sons das batidas, os segredos da feitura da massa, os sorrisos e olhares sábios da nossa nonna, como se já soubesse que seus ensinamentos iriam servir para nosso futuro.

Massa pronta, seguia-se a transformação da mesma em imensos discos que eram habilmente performados com o inesquecível “pau de macarrão” cor de vinho. Os discos eram então pendurados no varal que ficava sob a parreira de uvas brancas, extremamente bem cuidada pelo nonno Giordano.

Era só a nonna se ausentar por um momento e lá íamos nós; o maiorzinho, erguia o menorzinho que beliscava pequenos nacos daquela massa, os quais saboreávamos furtiva e rapidamente. Hoje em dia, sabemos que a nonna nos assistia sorrindo pela janela da cozinha, e assim que começássemos a exagerar, vinha a ralhação da mesma, que então descia da cozinha, retirava os discos do varal, enrolava-os e os recortava em tiras fazendo assim o macarrão.

Fogão de lenha, panela de ferro imensa, e nós continuando a aprender os segredos culinários, que ela ia nos explicando conforme ia picando, cortando e adicionando os componentes ao molho. O ambiente então se enchia de um aroma indescritível, aguçando assim a nossa fome.

Restava então servir à mesa aquele macarrão e molho, que nós crianças, por respeito, não começávamos a comer enquanto o nonno Giordano não os provasse e tomasse um gole do vinho dando um murro na mesa com sua mão pesada e uma estrondosa gargalhada, dizendo:

Bravo! Questa è una vera tavola allegra”…

Grazie Dio